Análise Literária | Idade da razão - L' age de Raison

O romance trata-se de liberdade, consciência de si e moralidade. A narrativa se passa em Paris, no contexto da Segunda Guerra Mundial. Mathieu Delarue, é um professor de filosofia, que se vê e um impasse moral e uma crise existencial sobre qual seria o sentido de sua liberdade, gozando de um pensamento irrestrito, não mantém compromissos partidários, sociais e nem afetivos.


A história é composta de um “foco central” que seria seu relacionamento com Marcelle, com quem mantém uma relação amorosa, que está grávida e precisa de uma quantia em francos para que seja realizado o aborto. Mathieu, não contém o dinheiro e inicia sua busca, entre seus amigos. Não querendo ser pai por acreditar que estar em relacionamento não se enquadra em seu estilo de vida livre, se depara com questões sobre o verdadeiro sentido da liberdade e sobre sua vida até aquele momento.

Mathieu, preserva um estilo de vida previsível e comum, não se arriscando ou experimentando grandes emoções. É evidenciado na citação de Macelle “Bem, a tua famosa lucidez. Tu és divertido, meu velho. Tens um medo tão grande de te iludir a ti próprio que recusarias a mais bela aventura do mundo para não te arriscares a uma mentira…”.

Neste contexto de elucidação do existencialismo sartriano, temos as citações de Brunet, um de seus melhores amigos "Mas para que lhe serve a liberdade se não para tomar uma posição? Você gastou trinta e cinco anos na sua limpeza e o resultado dela é um vácuo. És um corpo estranho sabes? - acrescentou com um sorriso amigo. - Vives no ar, cortastes os laços burgueses e não te ligastes ao proletariado, flutuas, és um abstrato, um ausente...". Demonstra também seu medo e a distância de coisas que não compreende, projetando uma reação de defesa em caráter da mudança de rotina, temos a fala de Jacques, irmão de Mathieu, um burguês bem-sucedido, que denota uma certa admiração à falta de engajamento de Mathieu e seus valores, "Sabes, quando penso em ti, fico mais convencido ainda de que não se deve ser um homem de princípios. Você está cheio de princípios, mas não se submete à eles. Em teoria não à ninguém mais independente".

Isso nos leva a refletir sobre a existência e nossas escolhas, pois é enfatizado principalmente por Brunet, que através de engajamentos e escolhas é possível se definir em essência, não tendo uma essência imediata e sim baseada no modo como a vida é levada. A narrativa vem repletas de indagações que nos levam a pensar em relação moralidade e construção do ego. No caso do protagonista, é lançado um conceito de ser-para-si , ou seja, possui consciência de si, vive para si, porém não tem uma identidade consolidada.

O Para-si é, é pura contingência, é presença ao mundo, ele não é seu próprio fundamento e sim fundamento do nada enquanto nadificação de seu próprio ser. O Para-si é possibilidade como estrutura ontológica do real. O ser da consciência é Em-si para nadificar-se em Para-si, portanto, “o Para-si é o Em-si que se perde como Em-si para fundamentar-se como consciência” (SARTRE, 2008, p. 131).


Gênero: Romance
Ano: 1945.
Nacionalidade: Paris.
Autor: Jean-Paul Sartre
Páginas: 352.
Movimento: Existencialista.

Trilogia - Os Caminhos da Liberdade.
Continuidade: “Sursis” e “Com a morte na alma”
Análise Literária | Idade da razão - L' age de Raison Análise Literária | Idade da razão - L' age de Raison Reviewed by Natali Lourenço on 16:44 Rating: 5

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